segunda-feira, 18 de agosto de 2008

UM OLHAR

Um olhar furtivo me observa na janela.
Vigia cada passo, cada gesto.
Sabe da minha vida mais que da sua própria,
Como o Grande Irmão, me segue
A cada segundo.

Esse olhar é impertinente.
Ele vê além de mim,
Enxerga além dos muros,
Das minhas roupas,
Do meu corpo,
Invade minha alma.

Não quer saber de si,
Só de quem eu sou,
Não quer olhar suas dores,
E sim meus sabores,
Não quer se refletir,
Só quer saber com quem saí,
Dormí, o que comi.

Esse olhar não sai da janela,
Mas me acompanha a cada passo,
Na rua,
Em casa,
No meio do mundo.

Ele não sabe de si,
Não faz nada para ser feliz,
Sua felicidade é me vigiar,
Sua fome é meu ser,
Meu querer,
Meu viver.

Um olhar incisivo me observa na janela...

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