segunda-feira, 10 de setembro de 2007

É SÓ O AMOR QUE CONHECE O QUE É VERDADE

Estou diante do computador e acabei de assistir o Acústico Sandy & Júnior que me deixou muito emocionado. Discussões de gostos à parte, o que mais me emocionou foi como suas músicas tratam do mais nobre sentimento que é e sempre foi inspiração para praticamente todos os músicos e poetas: o amor.
Foi o amor por Penélope que levou Ulisses a enfrentar a ira de Posseidon e voltar para casa depois de dez longos anos. Foi também esse sentimento que levou Tristão a se refugiar na corte do Rei Artur após fugir com sua amada Isolda, esposa de seu tio, por ele Dante atravessou o inferno para encontrar sua amada Beatriz e foi também o responsável pelas mortes de Romeu e Julieta.
Ele é tema recorrente desde os gregos antigos com suas tragédias e mitos. Histórias como a de Eros e Psique, Píramo e Tísbe, entre outras já permeiam nosso imaginário há séculos e foi fonte de inspiração de muitas obras literárias como é o caso de Tristão e Isolda e Romeu e Julieta que tem referência direta ao mito de Píramo e Tísbe. A obra A Divina Comédia mesmo (já citada em outra coluna) tem como razão de ser devido ao amor de Dante por Beatriz. O amor também foi responsável pelos mais belos sonetos em língua portuguesa. Quem nunca cantou os versos de Camões, nem que fosse ao ritmo de Renato Russo: “O amor é um fogo que arde sem se ver. / É ferida que dói e não se sente. / É um contentamento descontente. / É dor que desatina sem doer”. Nunca um sentimento tão indefinível foi tão bem definido por um poeta.
No Brasil também muitos poetas e escritores escreveram obras reverenciando o amor: Tomás Antônio Gonzaga e os versos de Marília de Dirceu, Álvares de Azevedo e seus amores platônicos, Joaquim Manuel de Macedo com sua Moreninha e o amor proibido de Riobaldo Tatarana por Diadorim, do grande mestre Guimarães Rosa.
E da mesma forma que na literatura, na música não é diferente. Várias são as formas que o amor é cantado. Pode ser pueril e até infantil como nas canções de grupos infantis dos anos de 1980 como o Trem da Alegria e até dos próprios Sandy & Júnior. Pode ser sofrido e cheio de adultérios como as canções dos anos de 1940, pode ser o amor cotidiano de músicas como Café da Manhã ou Detalhes, da melhor fase do Roberto Carlos.
Ele foi por ser cantado de várias formas que ele pôde ter a cara de cada brasileiro, desde o amor a uma prostituta (Eu Vou Tirar Você Desse Lugar, de Odair José), ao amor platônico (Timidez, do Biquini Cavadão), até mesmo ao amor homossexual (Daniel na Cova dos Leões, Meninos e Meninas e Vento no Litoral, da Legião Urbana), todas são maneiras de cantar esse sentimento que embala os corações dos homens até hoje.
Eu precisaria de um espaço muito grande para falar desse sentimento tão belo, tão contraditório e que é almejado por todas as pessoas. Mas com certeza eu retomarei o tema em outras colunas e por isso vale a dica: busquem essas obras e essas canções, vejam quais poemas falam mais fundo em seus corações e declamem para a pessoa amada. Vamos espalhar o amor que é isso que anda faltando nesse mundo louco. E para finalizar deixo vocês com mais um pouco de Camões: “Eu cantarei de amor tão docemente, / por uns termos em si tão concertados, / que dous mil acidentes namorados / faça sentir ao peito que não sente.” Um forte abraço e fiquem com Deus.
(Texto originalmnte publicado na coluna Letra Literal, no site www.vistolivre.com de 05/09/2007.)

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