
E fez-se a luz. Antes, havia apenas o nada, a escuridão. E a luz veio na forma dos cabelos vermelhos que surgiram diante dos meus olhos naquele trem do metrô. Não me lembro de nada que tenha existido antes. Como Adão, de repente tive consciência de mim e do mundo, simplesmente por ver aquela mulher. Toda ela era luz. Sua pele branca em contraste com o preto de sua jaqueta, seu corpo esguio que terminava em longas pernas de couro e salto. Tudo isso apareceu na minha frente como se tivesse se formado de uma nuvem de poeira.
Não pude deixar de olhá-la. E ela percebeu. Não ficou constrangida ou irritada. Me abriu um sorriso luminoso e disse qualquer trivialidade quanto ao calor ou a quantidade de pessoas no vagão. Não entendia suas palavras, apenas ouvia sua voz rouca e sensual penetrar em meus ouvidos como uma melodia doce que não sabemos de onde vem, mas que nos eleva aos céus. Eu, estava entorpecido. Parecia um idiota que ficava balbuciando palavras desconexas. Não conseguia articular um assunto, só ficava tentando entender como aquela mulher, misto de anjo e motoqueira, se dignou a falar com alguém tão sem graça como eu.
Me sentia como uma criança saltitante ao abrir a porta da minha casa e convidá-la, ainda meio sem jeito, para entrar. Não podia imaginar que um dia isso aconteceria comigo. Já tinha lido histórias como essa em revistas masculinas e nunca acreditei na conversa de uma desconhecida puxar assunto em algum lugar e aceitar um convite para ir a sua casa sem nem ao menos saber seu nome. Mas era isso que estava acontecendo. Eu não sabia o nome dela, ela não sabia a minha história e estava lá na minha sala bebendo meu wisky, vendo minhas coisas, entrando no meu mundo.
Como descrever um sonho? Como explicar algo que nem você consegue entender? Como nomear sensações nunca antes experimentadas? Não tenho palavras com que me expressar e só consigo narrar de maneira simples tudo o que aconteceu. Foi tudo inesperado, misterioso. Eu falava qualquer coisa sobre cinema alemão quando sua língua, sem nenhum pudor ou pedido de licença invadiu minha boca. A fúria do seu beijo me enlouquecia. Era quente, violento, sua língua era como uma serpente dançando na minha garganta. Minhas mãos percorriam seu corpo livre do couro que o cobria. Eu tocava seus seios intumescidos, ela tirava minha roupa com um apetite assustador. Sua mão tocou no meu sexo e o calor do seu corpo queimava minha pele numa ânsia de prazer e desespero. Eu penetrava sua gruta com meus dedos. Estava molhada, quente e seu desejo era tanto que seus gemidos ficavam presos dentro do seu peito. Ela se sentou no sofá e me ofereceu seu suco naquele cálice róseo. Ela apertava minha cabeça com suas pernas, sua respiração era entrecortada com suspiros e gemidos surdos, seu corpo se contorcia eletrificado e eu me saciava como um beduíno num oásis no meio do deserto.
Ela me pôs em pé e com olhos famintos segurou meu falo e começou a sugá-lo como se quisesse arrancá-lo, como se fosse possível tirá-lo do meu corpo e devorá-lo por inteiro. Minhas pernas começaram a perder as forças. Quanto mais intensas eram suas chupadas mais fraco ficava. Eu estava enlouquecido, não agüentava mais, tudo o que queria era me sentir dentro dela, daquela caverna úmida e quente, aconchegante e enlouquecedora.
Me sentei e ela subiu em mim como uma valquíria cavalgando em Asgard. Ela subia e descia cada vez mais rápido, cada vez mais forte, cada vez com mais intensidade. Eu sugava os seus seios, alisava sua bunda, sentia a penugem fina que cobria o seu corpo.
Não sei quanto tempo durou. Só tive consciência de alguma realidade quando no momento em que ela estava de quatro e eu a penetrava por trás seus gemidos surdos se transformaram num grito de agonia e prazer que me levou a loucura e inundei seu corpo com meu sêmen farto e viscoso. Ela se levantou, me lançou um sorriso e se dirigiu ao banheiro enquanto eu ficava desfalecido, sem forças, como um boneco de pano velho jogado no fundo do quarto.
Ela se foi. Todos os dias porém, nos encontrávamos no mesmo vagão do metrô e íamos até minha casa. Nos amávamos loucamente. Eu não pensava em mais em nada. Queria apenas que chegasse a hora de pegar o metrô e encontrá-la. Ela sugava minha consciência, minha energia, meus desejos. Não queria mais nada, apenas ela. Fui ficando cada vez mais cansado, cada noite era mais intensa que a anterior. Não tinha mais disposição para nada, somente para ela. Nada tinha importância. Deixei de trabalhar, comer, sair. Minha vida era agora ir pegar aquele trem e encontrá-la todo fim de tarde. Aquela mulher misteriosa que me consumia e que eu sabia sequer o seu nome. E esse mistério me excitava ainda mais.
Não ia mais ao metrô. Na hora exata, no fim do dia, abria a minha porta e ela estava lá, a minha espera, faminta de desejo, de luxuria. Eu não era mais nada. Um farrapo de mim mesmo. Não tinha mais vontade, não tinha mais desejo, não queria mais o dia, na verdade não via mais o dia, ela me exauria por completo toda noite e eu dormia o dia seguinte inteiro. Só existia a noite.
Fui me transformando. Não via mais prazer no dia, não pensava mais no trabalho, só queria saciar a fome daquela mulher. Com o passar dos dias vi que minha disposição estava voltando, mas só a noite quando ela chegava. Durante o dia continuava sonolento, cansado, não queria levantar da cama. E com o crepúsculo começava me animar porque sabia que ela iria chegar a qualquer momento para me alimentar com seu corpo, seus beijos, seu sexo. Não conseguia mais ficar sem esse ser misterioso em forma de anjo, ou demônio, não sei.
Mas enfim tudo acabou. E na última noite que a vi, ao se despedir, ela falou: você está pronto. Pronto para saciar sua fome. Saia e vá em busca de alimento, prazer, paixão. Adeus. Nunca mais a vi. Ainda tentei procurá-la no vagão indo de estação em estação, mas não a encontrei, simplesmente ela desapareceu tão misteriosamente como surgiu, como se não tivesse existido nem antes daquele e nem agora depois do nosso último encontro. Mas tudo bem, estou sobrevivendo e como ela disse fui atrás do meu alimento e agora estou aqui nesse trem de metrô procurando saciar a minha fome. Não sei o que aconteceu, só sigo meus instintos, meus novos instintos, então vou à caça...
Não pude deixar de olhá-la. E ela percebeu. Não ficou constrangida ou irritada. Me abriu um sorriso luminoso e disse qualquer trivialidade quanto ao calor ou a quantidade de pessoas no vagão. Não entendia suas palavras, apenas ouvia sua voz rouca e sensual penetrar em meus ouvidos como uma melodia doce que não sabemos de onde vem, mas que nos eleva aos céus. Eu, estava entorpecido. Parecia um idiota que ficava balbuciando palavras desconexas. Não conseguia articular um assunto, só ficava tentando entender como aquela mulher, misto de anjo e motoqueira, se dignou a falar com alguém tão sem graça como eu.
Me sentia como uma criança saltitante ao abrir a porta da minha casa e convidá-la, ainda meio sem jeito, para entrar. Não podia imaginar que um dia isso aconteceria comigo. Já tinha lido histórias como essa em revistas masculinas e nunca acreditei na conversa de uma desconhecida puxar assunto em algum lugar e aceitar um convite para ir a sua casa sem nem ao menos saber seu nome. Mas era isso que estava acontecendo. Eu não sabia o nome dela, ela não sabia a minha história e estava lá na minha sala bebendo meu wisky, vendo minhas coisas, entrando no meu mundo.
Como descrever um sonho? Como explicar algo que nem você consegue entender? Como nomear sensações nunca antes experimentadas? Não tenho palavras com que me expressar e só consigo narrar de maneira simples tudo o que aconteceu. Foi tudo inesperado, misterioso. Eu falava qualquer coisa sobre cinema alemão quando sua língua, sem nenhum pudor ou pedido de licença invadiu minha boca. A fúria do seu beijo me enlouquecia. Era quente, violento, sua língua era como uma serpente dançando na minha garganta. Minhas mãos percorriam seu corpo livre do couro que o cobria. Eu tocava seus seios intumescidos, ela tirava minha roupa com um apetite assustador. Sua mão tocou no meu sexo e o calor do seu corpo queimava minha pele numa ânsia de prazer e desespero. Eu penetrava sua gruta com meus dedos. Estava molhada, quente e seu desejo era tanto que seus gemidos ficavam presos dentro do seu peito. Ela se sentou no sofá e me ofereceu seu suco naquele cálice róseo. Ela apertava minha cabeça com suas pernas, sua respiração era entrecortada com suspiros e gemidos surdos, seu corpo se contorcia eletrificado e eu me saciava como um beduíno num oásis no meio do deserto.
Ela me pôs em pé e com olhos famintos segurou meu falo e começou a sugá-lo como se quisesse arrancá-lo, como se fosse possível tirá-lo do meu corpo e devorá-lo por inteiro. Minhas pernas começaram a perder as forças. Quanto mais intensas eram suas chupadas mais fraco ficava. Eu estava enlouquecido, não agüentava mais, tudo o que queria era me sentir dentro dela, daquela caverna úmida e quente, aconchegante e enlouquecedora.
Me sentei e ela subiu em mim como uma valquíria cavalgando em Asgard. Ela subia e descia cada vez mais rápido, cada vez mais forte, cada vez com mais intensidade. Eu sugava os seus seios, alisava sua bunda, sentia a penugem fina que cobria o seu corpo.
Não sei quanto tempo durou. Só tive consciência de alguma realidade quando no momento em que ela estava de quatro e eu a penetrava por trás seus gemidos surdos se transformaram num grito de agonia e prazer que me levou a loucura e inundei seu corpo com meu sêmen farto e viscoso. Ela se levantou, me lançou um sorriso e se dirigiu ao banheiro enquanto eu ficava desfalecido, sem forças, como um boneco de pano velho jogado no fundo do quarto.
Ela se foi. Todos os dias porém, nos encontrávamos no mesmo vagão do metrô e íamos até minha casa. Nos amávamos loucamente. Eu não pensava em mais em nada. Queria apenas que chegasse a hora de pegar o metrô e encontrá-la. Ela sugava minha consciência, minha energia, meus desejos. Não queria mais nada, apenas ela. Fui ficando cada vez mais cansado, cada noite era mais intensa que a anterior. Não tinha mais disposição para nada, somente para ela. Nada tinha importância. Deixei de trabalhar, comer, sair. Minha vida era agora ir pegar aquele trem e encontrá-la todo fim de tarde. Aquela mulher misteriosa que me consumia e que eu sabia sequer o seu nome. E esse mistério me excitava ainda mais.
Não ia mais ao metrô. Na hora exata, no fim do dia, abria a minha porta e ela estava lá, a minha espera, faminta de desejo, de luxuria. Eu não era mais nada. Um farrapo de mim mesmo. Não tinha mais vontade, não tinha mais desejo, não queria mais o dia, na verdade não via mais o dia, ela me exauria por completo toda noite e eu dormia o dia seguinte inteiro. Só existia a noite.
Fui me transformando. Não via mais prazer no dia, não pensava mais no trabalho, só queria saciar a fome daquela mulher. Com o passar dos dias vi que minha disposição estava voltando, mas só a noite quando ela chegava. Durante o dia continuava sonolento, cansado, não queria levantar da cama. E com o crepúsculo começava me animar porque sabia que ela iria chegar a qualquer momento para me alimentar com seu corpo, seus beijos, seu sexo. Não conseguia mais ficar sem esse ser misterioso em forma de anjo, ou demônio, não sei.
Mas enfim tudo acabou. E na última noite que a vi, ao se despedir, ela falou: você está pronto. Pronto para saciar sua fome. Saia e vá em busca de alimento, prazer, paixão. Adeus. Nunca mais a vi. Ainda tentei procurá-la no vagão indo de estação em estação, mas não a encontrei, simplesmente ela desapareceu tão misteriosamente como surgiu, como se não tivesse existido nem antes daquele e nem agora depois do nosso último encontro. Mas tudo bem, estou sobrevivendo e como ela disse fui atrás do meu alimento e agora estou aqui nesse trem de metrô procurando saciar a minha fome. Não sei o que aconteceu, só sigo meus instintos, meus novos instintos, então vou à caça...
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