sexta-feira, 9 de março de 2007

MANCHETE DE JORNAL

Marta lia o jornal todas as manhãs em sua cozinha, ficava muito assustada com a violência e as tragédias que eram noticiadas, mas achava que o tempo passava mais rápido e tornava a espera por Carlos, seu marido, que era caminhoneiro e ficava muito tempo viajando, mais curta.
Numa manhã ela começou a chorar e ficar inquieta, vira no jornal um acidente nos limites da cidade que aconteceu na noite anterior envolvendo um ônibus e um caminhão. Sua apreensão era devido a foto no jornal, o caminhão era igual ao do seu esposo e o nome do caminhoneiro morto era Carlos.
Ela estava angustiada porque seu marido tinha que chegar pela manhã bem cedo e aquela hora, nove da manhã, ele já devia estar em casa. Imaginava coisas horríveis: será que era seu marido o acidentado? E se era, por que não avisavam à família? Mas se não fosse, por que não dava notícia? As horas foram passando e seu desespero aumentava.
Quando se preparava para buscar notícias, reconheceu um som que não a confundia, o que alegrou seu coração, era o caminhão de Carlos que estava chegando. Depois que entrou e descansou ele contou que havia chegado mais tarde, pois o caminhão quebrou no meio da estrada, que realmente tinha visto o acidente e não havia ligado para não perder mais tempo.
Hoje Marta não lê mais jornais, para passar o tempo joga palavras cruzadas.

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