Era uma noite chuvosa. Estava quente e por mais que chovesse a temperatura não baixava. Estava no início do ano ainda, em meados de janeiro. Já passava das duas da manhã. Alberto tentava voltar para casa. Ele tinha saído de uma festa num bar do centro do Rio, estava embriagado, molhado, confuso. Não sabia o que faria para voltar para Madureira, onde morava. Tinha perdido a carona. Tinha perdido o senso de direção. Tinha perdido a compostura. E tinha perdido sua dignidade. Não passava de um trapo ensopado e bêbado nas ruas escuras do Centro.
Então mesmo não sabendo para onde ia começou a andar. Meio sem rumo no começo, porém, não se sabe ao certo se por instinto ou uma melhora do seu estado, começou a caminhar em direção a Praça XV. Apenas andava. Não conseguia pensar. Não se lembrava do que tinha feito. Não queria saber quem era. Só queria andar, chegar em casa, tomar uma ducha fria e dormir. Procurou em seus bolsos o maço de cigarros que comprara ao chegar ao bar. Tinha perdido o maço, só restava um único cigarro amassado e úmido, como todo o seu ser. Tentou acender, mas ventava muito, sua mão tremia, ele caia pelo canto da boca sem nenhuma firmeza, então Alberto parou embaixo de uma marquise, se concentrou e conseguiu acendê-lo. Reparou que suas mãos estavam sujas de sangue, só não conseguia lembrar se o sangue era seu ou de outra pessoa. Não deu muita importância ao fato. Quando guardou o isqueiro no bolso da calça achou um guardanapo amassado. Tentou ler, entretanto havia pouca luz nas ruas, não tinha nenhum brilho de luar e seus olhos não obedeciam ao comando de seu cérebro. Quando conseguiu ver o que estava escrito, apenas viu um nome e um número de telefone. Não sabia de quem era. Não se lembrava de muita coisa. Eram somente flashs sem nexo. Rostos se misturavam na sua cabeça. Sentiu o gosto da tequila nos lábios de uma mulher que não conhecia. Ouvia conversas sem sentido. Gritos. Tentou organizar suas idéias, mas logo desistiu, só queria andar e voltar logo para casa.
Ao virar a esquina da Rua do Ouvidor com Rio Branco, começou a ouvir passos atrás de si. Alberto olhou para trás para ver quem vinha lhe seguindo. Só viu um vulto. Era alto, corpulento, parecia ter as mãos no bolso. Não dava para ver seu rosto porque o vulto usava um desses chapéus antigos e usava uma capa de chuva dando a sua figura uma aparência de gangster, desses filmes antigos sobre a máfia. Ele tentou acelerar o passo, porém seus pés não lhe obedeciam. Ainda estava muito embriagado, não conseguia decidir o que fazer. Ele estava muito tonto para pensar em algo. Caminhou então em direção ao Arco do Teles, com a pouca lucidez que tinha, imaginou que lá pelo menos poderia saber se estava mesmo sendo seguido e quem era. Quando parou em frente ao Arco o vulto passou ao seu lado, Alberto tentou ver seu rosto, entretanto por ter os olhos muito embaçados devido a embriaguez, não conseguiu identificá-lo.
Ele aproveitou essa pausa para respirar um pouco de ar fresco. Tentou se recompor. Já se equilibrava melhor e aos poucos foi recuperando a sobriedade. Continuou andando rumo ao mergulhão. Estava cansado e ainda não se lembrava do que havia ocorrido no bar. Não sabia de quem eram os lábios embebidos em álcool e não sabia se realmente estava sendo seguido ou isso tudo era fruto de sua imaginação. A chuva havia passado, o que o animou, pelo menos poderia secar suas roupas. Poderia se aquecer ao caminhar. Se reanimar. Poderia fumar um outro cigarro, se encontrasse algum pelo caminho, já que o seu se apagou com a chuva e ficou encharcado. Alberto sempre gostava de fumar quando estava com frio. Ajudava a esquentar o corpo por dentro e nessa noite ele queria aquecer o seu corpo e sua memória.
Então mesmo não sabendo para onde ia começou a andar. Meio sem rumo no começo, porém, não se sabe ao certo se por instinto ou uma melhora do seu estado, começou a caminhar em direção a Praça XV. Apenas andava. Não conseguia pensar. Não se lembrava do que tinha feito. Não queria saber quem era. Só queria andar, chegar em casa, tomar uma ducha fria e dormir. Procurou em seus bolsos o maço de cigarros que comprara ao chegar ao bar. Tinha perdido o maço, só restava um único cigarro amassado e úmido, como todo o seu ser. Tentou acender, mas ventava muito, sua mão tremia, ele caia pelo canto da boca sem nenhuma firmeza, então Alberto parou embaixo de uma marquise, se concentrou e conseguiu acendê-lo. Reparou que suas mãos estavam sujas de sangue, só não conseguia lembrar se o sangue era seu ou de outra pessoa. Não deu muita importância ao fato. Quando guardou o isqueiro no bolso da calça achou um guardanapo amassado. Tentou ler, entretanto havia pouca luz nas ruas, não tinha nenhum brilho de luar e seus olhos não obedeciam ao comando de seu cérebro. Quando conseguiu ver o que estava escrito, apenas viu um nome e um número de telefone. Não sabia de quem era. Não se lembrava de muita coisa. Eram somente flashs sem nexo. Rostos se misturavam na sua cabeça. Sentiu o gosto da tequila nos lábios de uma mulher que não conhecia. Ouvia conversas sem sentido. Gritos. Tentou organizar suas idéias, mas logo desistiu, só queria andar e voltar logo para casa.
Ao virar a esquina da Rua do Ouvidor com Rio Branco, começou a ouvir passos atrás de si. Alberto olhou para trás para ver quem vinha lhe seguindo. Só viu um vulto. Era alto, corpulento, parecia ter as mãos no bolso. Não dava para ver seu rosto porque o vulto usava um desses chapéus antigos e usava uma capa de chuva dando a sua figura uma aparência de gangster, desses filmes antigos sobre a máfia. Ele tentou acelerar o passo, porém seus pés não lhe obedeciam. Ainda estava muito embriagado, não conseguia decidir o que fazer. Ele estava muito tonto para pensar em algo. Caminhou então em direção ao Arco do Teles, com a pouca lucidez que tinha, imaginou que lá pelo menos poderia saber se estava mesmo sendo seguido e quem era. Quando parou em frente ao Arco o vulto passou ao seu lado, Alberto tentou ver seu rosto, entretanto por ter os olhos muito embaçados devido a embriaguez, não conseguiu identificá-lo.
Ele aproveitou essa pausa para respirar um pouco de ar fresco. Tentou se recompor. Já se equilibrava melhor e aos poucos foi recuperando a sobriedade. Continuou andando rumo ao mergulhão. Estava cansado e ainda não se lembrava do que havia ocorrido no bar. Não sabia de quem eram os lábios embebidos em álcool e não sabia se realmente estava sendo seguido ou isso tudo era fruto de sua imaginação. A chuva havia passado, o que o animou, pelo menos poderia secar suas roupas. Poderia se aquecer ao caminhar. Se reanimar. Poderia fumar um outro cigarro, se encontrasse algum pelo caminho, já que o seu se apagou com a chuva e ficou encharcado. Alberto sempre gostava de fumar quando estava com frio. Ajudava a esquentar o corpo por dentro e nessa noite ele queria aquecer o seu corpo e sua memória.
O rapaz nem percebeu que já havia descido a rampa do mergulhão. Apenas andava de forma mecânica. Quando se deu conta seus olhos haviam sido bombardeados pela forte luz fluorescente do ponto de ônibus. Não pensava em nada. Olhou em volta.O ponto estava vazio. Nenhum ônibus. Mas o que ele viu o deixou abalado. Lá estava ele. De costas para a rampa. O mesmo homem. A mesma capa de chuva. Estava imóvel. Quando Alberto se aproximou o homem misterioso seguiu rápido para as escadas que davam acesso ao terminal das barcas e desapareceu na escuridão. Nesse mesmo instante seu ônibus chegou. Por um instante o rapaz hesitou. Não sabia se ia atrás do seu perseguidor ou se pegava sua condução. Preferiu o ônibus. Ele entrou, se dirigiu ao fundo do carro, se encolheu num banco e procurou relaxar. Alberto queria apenas descansar. Não queria pensar na sua embriaguez cada vez mais fraca. Não queria pensar no que poderia ter feito naquela noite. Não queria saber de homens misteriosos. Queria apenas descansar. Somente dormir. Queria que aquela noite acabasse. Sentia-se num pesadelo, mas aqueles que não conseguimos acordar por mais que tentemos, mesmo sabendo que é apenas um sonho. E Alberto queria acordar deste sonho.
(Continua na próxima semana.)
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